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Brasileiro tem um sufixo incomum para se referir a nacionalidade. Italiano, americano, sul-africano, alemão, francês, japonês, são adjetivos pátrios com sufixos diferentes do nosso. “A palavra brasileiro designava, no período colonial, aquele que vivia de explorar e fazer comércio com o pau-brasil, madeira de cor de brasa de grande valor comercial à época. O sufixo eiro, nesse caso, tem, entre outras funções, a de assinalar uma ação ou uma função como em madeireiro, mineiro, pistoleiro, grileiro ou garimpeiro”, explica o Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Assim, brasileiro carrega o sufixo do trabalho e a memória da exploração e, por isso, serve para introduzir o Plebiscito Popular 2025.

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Essa raiz etimológica, que amarra a identidade nacional à própria noção de trabalho extrativista, ressoa de forma profunda na conjuntura brasileira do século XXI. A identidade do brasileiro nasceu não de um gentílico, mas de uma profissão. Uma profissão definida pela extração de valor da terra para benefício de uma metrópole distante. Séculos depois, a metrópole mudou, as estruturas de poder se reconfiguraram, mas a lógica fundamental de uma nação construída sobre a exploração intensiva do trabalho de sua gente permanece como um fantasma na máquina social. É precisamente contra essa herança histórica que o Plebiscito Popular de 2025 se insurge, não como um evento político isolado, mas como marco de um processo histórico, como um questionamento fundamental sobre o que significa ser brasileiro hoje.

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As duas pautas centrais da consulta popular — o fim da jornada de trabalho na escala 6x1 (seis dias de trabalho para um de descanso) e a taxação das grandes fortunas — não são propostas aleatórias. Elas miram em dois pilares que sustentam a desigualdade do país: a exploração do tempo de trabalho e a concentração da riqueza. A primeira visa devolver ao trabalhador o domínio sobre sua própria vida; a segunda, redistribuir os frutos desse trabalho, que hoje se acumulam de forma desproporcional no topo da pirâmide social. Juntas, elas propõem uma renegociação radical do contrato social implícito na própria palavra “brasileiro”.

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O Relatório de 2025 do Observatório Brasileiro das Desigualdades, uma iniciativa que reúne diversas organizações da sociedade civil, pinta o retrato de nosso país. Em 2024, o rendimento médio do 1% mais rico da população foi 30,5 vezes superior ao dos 50% mais pobres. A disparidade é ainda mais significativa quando se observam os recortes de gênero e raça: uma mulher negra, mesmo com o maior crescimento de renda no período, aufere em média apenas 43% do rendimento de um homem não negro. O sistema tributário, longe de atenuar, aprofunda o abismo: as famílias 10% mais pobres destinam 26,4% de sua renda a impostos, enquanto as 10% mais ricas comprometem apenas 19,2%. É um sistema de taxação em grande parte regressivo, que vai contra os princípios de justiça social.

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Esta reportagem se propõe a dissecar o fenômeno do Plebiscito Popular de 2025. Será analisada sua natureza jurídica e simbólica a partir das outras experiências de consultas populares no Brasil. Também será investigada a anatomia do movimento "Vida Além do Trabalho" (VAT), uma força digital que inovou a comunicação da esquerda no país. Por fim, localizará-se essa efervescência social no complexo tabuleiro político de 2025, analisando como o governo, a oposição e a sociedade reagem a um movimento que, em sua essência, pergunta se o povo, de fato, ainda é o supremo poder.

Democracia no papel

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O movimento estudantil marca presença no espaço institucional do debate público em Audiência Pública. Foto: Gabriel Coelho

Para todos lerem: Estendida na Câmara Municipal de Uberlândia está cartaz feito por estudantes com frase "No poder só tem playboy"

Mais do que um sistema de governo, a democracia é uma pressuposição fundamental da organização da sociedade. Ela se assenta na crença de que o poder emana do povo e que este deve ser exercido de forma a garantir direitos, promover a igualdade e permitir a participação cidadã universal. A democracia, em suas diversas manifestações, surge como um ideal recorrente, um sistema onde o poder emana do povo e é exercido por ele, seja diretamente ou por meio de representantes. No Brasil, essa emanação popular é formalmente garantida pela Constituição Federal de 1988, que, em seu Artigo 14, estabelece os instrumentos da soberania popular: o sufrágio universal e o voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, mediante lei, o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular.

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Esses mecanismos de democracia direta, no entanto, têm sido historicamente subutilizados, refletindo uma cultura política que, mesmo após a redemocratização, privilegiou a representação em detrimento da participação. A distinção entre plebiscito e referendo é crucial: o plebiscito é uma consulta prévia à criação de um ato legislativo ou administrativo, enquanto o referendo ocorre posteriormente, para ratificar ou rejeitar uma norma já expedida pelo Congresso. Desde a Constituição de 1988, o Brasil realizou apenas duas consultas de âmbito nacional que mobilizaram todo o eleitorado para decidir sobre questões fundamentais, cada uma deixando um legado sobre a relação entre o povo e o poder.

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A primeira grande consulta da Nova República foi o plebiscito de 21 de abril de 1993. Determinado pelo Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) da própria Constituição de 1988, ele convocou os brasileiros a decidir sobre a forma de governo (República ou Monarquia) e o sistema de governo (Presidencialismo ou Parlamentarismo). A consulta foi o resultado de uma intensa negociação durante a Assembleia Constituinte, que optou por delegar ao povo uma decisão estrutural sobre o Estado. Os resultados foram contundentes: com uma participação de 73,36% dos eleitores, a República foi confirmada com 66,28% dos votos válidos, contra apenas 10,26% para a Monarquia. O Presidencialismo também se sagrou vitorioso, com 55,41% dos votos, ante 24,79% para o Parlamentarismo. O plebiscito de 1993 consolidou o arranjo político vigente, mas também estabeleceu um precedente poderoso: o de que questões de magna importância poderiam e deveriam ser submetidas ao veredito popular.

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Doze anos depois, em 23 de outubro de 2005, os brasileiros foram novamente às urnas, desta vez para um referendo. A consulta visava ratificar ou rejeitar o Artigo 35 do Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/2003), que proibia a comercialização de armas de fogo e munições em todo o território nacional. A pergunta era direta: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?". O resultado foi uma clara rejeição à proposta do legislador. Com uma participação de 78,15% do eleitorado, 63,94% dos votantes (mais de 59 milhões de pessoas) optaram pelo "Não", mantendo o comércio de armas legalizado sob as regras do Estatuto. Apenas 36,06% votaram "Sim". O referendo de 2005 demonstrou a capacidade da população de intervir diretamente no processo legislativo, derrubando uma medida já aprovada pelo Congresso e revelando uma dissonância entre a vontade dos representantes e a dos representados.

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É nesse contexto histórico de raras, porém impactantes, consultas populares que emerge o Plebiscito Popular de 2025. É fundamental esclarecer que, do ponto de vista estritamente legal, a iniciativa não é um plebiscito nos termos constitucionais. Não foi convocada pelo Congresso Nacional através de decreto legislativo e, portanto, seu resultado não tem força de lei. Trata-se, na verdade, de uma gigantesca campanha de mobilização e coleta de assinaturas, uma iniciativa da sociedade civil que se apropria da linguagem e do simbolismo da democracia direta para gerar pressão política.Para Leonardo Bini, advogado trabalhista, a iniciativa funciona como uma forma de “pressão popular, para que se torne um projeto de lei no congresso, ou serve como uma forma forte de pressionar a decisão quando já tem esse projeto de lei sendo discutido”. Ele argumenta que, embora siga um caminho “anormal”, o plebiscito pode ter valor simbólico importante. A escolha do nome “plebiscito” é, portanto, uma estratégia deliberada para conferir legitimidade popular a uma demanda que encontra resistência nos canais institucionais.

Essa estratégia reflete uma profunda crise de representação. Ao criar seu próprio plebiscito, os movimentos sociais enviam uma mensagem poderosa: se os mecanismos formais de participação estão obstruídos ou são lentos demais, a sociedade civil criará seus próprios canais. É um ato que simultaneamente imita e desafia o monopólio do Estado sobre os ritos democráticos, expondo a lacuna entre a “democracia no papel” e a percepção de exclusão política vivida por milhões de cidadãos.

A eficácia dessa tática, contudo, é objeto de debate dentro do próprio campo progressista. Bernardo Moreira, um dos ativistas do VAT, expressa um certo pessimismo quanto ao impacto do Plebiscito Popular. "Eu acho que esse plebiscito atinge exatamente quem já atingimos normalmente. A gente está pregando para convertido, basicamente", afirma. Para ele, uma consulta só seria verdadeiramente efetiva se fosse encampada pelo governo federal, com ampla divulgação em cadeia de rádio e televisão, tornando-a um evento nacional incontornável.

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Por outro lado, Lucas Sidrach, coordenador nacional do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), vê a consulta como uma peça fundamental em uma estratégia mais ampla e multifacetada. Para ele, o plebiscito é uma ferramenta poderosa para “qualificar o processo”, servindo como catalisador para organizar uma grande mobilização em Brasília, que inclua um ato nacional na Esplanada dos Ministérios e a entrega dos resultados ao Congresso Nacional. Nessa visão, o valor do plebiscito não reside apenas em seu resultado numérico, mas em sua capacidade de aglutinar forças, unificar discursos e criar um fato político que os parlamentares não possam ignorar. A iniciativa, portanto, navega em um terreno híbrido: não é uma consulta legalmente vinculante, mas é muito mais do que um simples abaixo-assinado. É uma performance de soberania popular, um esforço para tornar visível e audível a vontade de uma parcela significativa da população que se sente silenciada pelas estruturas formais de poder.

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As demandas do Plebiscito Popular de 2025 não surgiram no vácuo. Elas são respostas diretas e pragmáticas a duas crises estruturais que definem a experiência da maioria dos brasileiros: a precarização do tempo de vida pelo trabalho e a injustiça de um sistema fiscal que penaliza os pobres e privilegia os ricos. Analisar cada uma dessas frentes de batalha com base nos dados disponíveis revela que as propostas não são apenas desejos, mas necessidades urgentes, fundamentadas em uma realidade de desigualdade brutal.

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Foi realizada em 31 de julho de 2025 uma audiência pública na Câmara Municipal de Uberlândia. O Vereador Professor Ronaldo (PT-MG) resumiu o sentimento que impulsiona a primeira grande pauta do plebiscito. Ele afirmou que a escala de trabalho 6x1 “adoece, desumaniza e precisa ser revista”, pois “ninguém consegue manter saúde física, mental e emocional trabalhando seis dias por semana e descansando apenas um”. Essa jornada, segundo ele, “configura uma forma de exploração do tempo, do corpo e do direito ao convívio familiar, ao lazer, à educação e à cultura”.

 

Os dados do Observatório Brasileiro das Desigualdades confirmam que essa exploração do tempo não é distribuída de forma equânime pela sociedade. Ela recai com mais força sobre os grupos já mais vulneráveis. Em 2024, a taxa de desocupação nacional foi de 6,6%. No entanto, para as mulheres, essa taxa foi de 8,1% e para a população negra, de 7,6%. A interseccionalidade revela o ponto mais agudo da crise: a taxa de desocupação para mulheres negras atingiu 9,6%, mais que o dobro da taxa para homens não negros, que foi de 4,6%. Este hiato de oportunidades, como define o relatório, demonstra que o acesso e a permanência no mercado de trabalho são profundamente marcados por desigualdades de gênero e raça.

 

Quando conseguem um emprego, esses grupos são empurrados para as posições mais precárias e mal remuneradas, muitas vezes sob a escala 6x1. A disparidade salarial é um reflexo direto dessa estrutura. Em 2024, as mulheres recebiam, em média, apenas 73% do rendimento dos homens. O abismo é ainda maior no recorte racial: o rendimento médio mensal de uma mulher negra (R$ 2.008) correspondia a meros 43% do rendimento de um homem não negro (R$ 4.636). Esses números mostram que a luta pelo fim da escala 6x1 é, intrinsecamente, uma luta por justiça racial e de gênero. É uma demanda para que o tempo de vida das mulheres, especialmente das mulheres negras, seja valorizado da mesma forma que o de outros grupos da sociedade.

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A urgência da pauta é o que explica seu potencial de mobilização. Como aponta Bernardo Moreira, “o fim da escala 6x1 é um negócio tão urgente aqui no nosso país, porque as pessoas estão adoecendo cada dia mais por conta disso”. Lucas Sidrach, do VAT, complementa, explicando que a simplicidade da mensagem foi crucial para o sucesso do movimento. A pauta não requer longas explicações teóricas; ela se conecta diretamente com a experiência vivida de exaustão. “A galera do comércio sabe o que é 6x1, sabe? A dona de casa sabe o que é 6x1. Então, isso tudo ficou de fácil assimilação”. A demanda por “vida além do trabalho” tornou-se agente unificador para uma classe trabalhadora diversa, mas unida pelo esgotamento.

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Para empresários como Felipe Almeida, dono da Arena Casa Maresia em Uberlândia, a escala 6x1 é considerada fundamental. Ele argumenta que "tem ramos aí que a escala 6x1 ela é fundamental". Isso sugere que, em determinados segmentos, a operação do negócio depende diretamente da capacidade de ter funcionários trabalhando seis dias por semana.

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A visão de Felipe é que, se a escala 6x1 for extinta, "o custo aumenta muito, talvez até inviabilizando a operação". Essa é uma preocupação central para muitos empresários: o aumento dos custos operacionais. A mudança para um modelo com menos dias de trabalho, como a escala 5x2, poderia exigir a contratação de mais funcionários para cobrir a mesma carga horária, o que eleva a folha de pagamento e os encargos trabalhistas.

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Além do custo, há o desafio da gestão e da logística. Felipe ressalta que "dependendo do tipo de mercado, se for um de lazer, de hobby, enfim, entretenimento, o meu, como o meu, por exemplo, já é mais complicado se, se tiver o fim dessa escala". Setores que dependem de funcionamento contínuo, como o lazer, serviços e entretenimento, podem ter sua capacidade de atendimento severamente impactada.

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A perspectiva de Felipe, portanto, não é de oposição completa ao fim da escala para todos os mercados, mas sim de defender a sua existência para aqueles que dela necessitam. Ele afirma: "eu sou a favor da escala 6x1, não pra todos, né, mas para os mercados que realmente precisam dela". Isso mostra que a discussão sobre o fim dessa escala não é um consenso, e que para alguns empreendedores, ela é vista como um elemento vital para a saúde e a sobrevivência de seus negócios.

Lucas Sidrach defende dignidade do trabalhador em Audiência Pública para debater escala 6x1 em Câmara Municipal de Uberlândia. Foto: Gabriel Coelho

Para todos lerem: Lucas Sidrach discursa atrás de palanque da Câmara dos Deputados de Uberlândia vestindo camiseta do VAT. Atrás estão as bandeiras do Brasil, do Triângulo Mineiro e de Uberlândia

O de cima sobe e o de baixo desce

Se a primeira frente de batalha do plebiscito ataca a exploração no ponto da produção do valor — o tempo de trabalho —, a segunda frente mira a injustiça na sua distribuição e acumulação — o sistema fiscal. O relatório do Observatório é categórico ao classificar o perfil tributário brasileiro como “altamente regressivo”, um sistema que, na prática, funciona para tirar proporcionalmente mais dos pobres e aliviar o fardo dos ricos.

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A principal evidência dessa regressividade está na composição da carga tributária. Entre 2017 e 2018, os dados mais recentes disponíveis para essa análise, as famílias situadas nos 10% mais pobres da população destinaram 26,4% de sua renda total para o pagamento de tributos. Em contraste, as famílias nos 10% mais ricos despenderam apenas 19,2%. Essa distorção ocorre devido à elevada dependência de impostos indiretos, que incidem sobre o consumo e pesam de forma igual para todos em termos nominais, mas representam uma fatia muito maior da renda dos mais pobres.

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Mesmo o Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), que deveria ser o principal instrumento de progressividade fiscal, apresenta anomalias que beneficiam os estratos mais ricos. A análise das alíquotas efetivas mostra que a progressividade do imposto funciona apenas até a faixa de rendimento de 15 a 20 salários mínimos. Acima desse patamar, o sistema se torna regressivo. O caso mais gritante é o dos contribuintes com renda superior a 320 salários mínimos mensais, cuja alíquota média efetiva foi reduzida de 5,43% para 4,87% entre 2021 e 2022. Essa anomalia tributária, como define o relatório, favorece os mais ricos e contribui diretamente para a perpetuação da concentração de renda.

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É nesse cenário de injustiça fiscal que a proposta de taxação das grandes fortunas ganha força. Ela é apresentada não como uma medida punitiva, mas como um mecanismo corretivo essencial para reequilibrar o sistema. A proposta do plebiscito é duplamente estratégica: não apenas sugere a criação de um imposto sobre os super-ricos, mas vincula essa arrecadação a um benefício direto para a classe trabalhadora, como a isenção de imposto de renda para quem ganha até cinco mil reais. Essa vinculação torna a pauta mais palatável e concreta para a população, transformando um debate fiscal abstrato em uma promessa tangível de alívio financeiro.

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A narrativa de que tal medida levaria a uma fuga de capitais é rebatida por ativistas como Bernardo Moreira. Ele argumenta que grande parte da riqueza dos super-ricos brasileiros está atrelada ao território, sendo, portanto, ilíquida e difícil de ser transferida para o exterior. "A riqueza deles vem das nossas terras, então é uma riqueza territorial. O Fazendeiro vai levar a fazenda? Eu vou sair do Brasil, vou levar meu boi, minha fazenda, meu sistema de irrigação. Não tem como, gente", argumenta ele.

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As duas pautas do plebiscito, portanto, estão intrinsecamente ligadas. Elas formam uma estratégia coesa que visa combater a máquina da desigualdade em suas duas engrenagens principais. De um lado, busca-se limitar e valorizar o tempo de trabalho. Do outro, busca-se garantir que a riqueza gerada por esse trabalho seja distribuída de forma mais justa e que o Estado seja financiado de maneira progressiva. É uma tentativa de romper o ciclo vicioso onde o trabalho precarizado gera uma renda baixa, que por sua vez é desproporcionalmente corroída por impostos, enquanto a riqueza acumulada no topo permanece praticamente intocada.

Os corredores de Brasília não estão imunes às pressões dos movimentos sociais. Foto: Gabriel Coelho

Para todos lerem: Um corredor pouco iluminado e bastante movimentado no subsolo da Praça dos Três Poderes

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DEMOCRACIA EM REDE

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“Política é como nuvem, você olha e ela está de um jeito, olha de novo e ela já mudou”, mas nem mesmo Magalhães Pinto poderia prever que a política, além de ser “como nuvem”, teria esta como novo espaço de disputa. No mundo das redes digitais, o surgimento e a ascensão do movimento Vida Além do Trabalho (VAT) representam um estudo de caso fascinante sobre o ativismo no século XXI. Nascido no ambiente digital, o VAT conseguiu em menos de dois anos o que organizações tradicionais passaram décadas tentando, pautando o debate nacional sobre a jornada de trabalho e desafiando as estruturas políticas estabelecidas. Sua anatomia revela uma combinação de comunicação inovadora, organização orgânica e uma complexa relação com a esquerda tradicional.

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A gênese do VAT é inseparável das redes sociais. O movimento foi fundado por Rick Azevedo e explodiu a partir de um de seus vídeos que viralizou, no qual ele articula de forma simples e direta a frustração de milhões de brasileiros com a escala 6x1. Como explica Lucas Sidrach, coordenador do movimento, “o que a gente fez e faz nesse momento é dar um novo brand, uma nova marca para o que está sendo debatido há muito tempo em um período em que as redes sociais são bastante influentes”. Essa origem digital permitiu ao VAT contornar os filtros da grande mídia e os canais de mobilização tradicionais, falando diretamente com uma audiência massiva e receptiva. Em 2024, quando Bernardo Moreira, outro ativista digital, conheceu Rick, o movimento já contava com 50 mil seguidores, poucos se comparados aos 342 mil do momento de escrita.

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Essa capacidade de viralização foi o motor inicial do movimento. A pauta da redução da jornada de trabalho, que segundo Moreira “ninguém queria falar”, encontrou nas redes sociais um terreno fértil. A mensagem ressoou porque tocava em uma ferida aberta: o esgotamento físico e mental de uma geração. O sucesso inicial não veio de grandes investimentos ou de uma estrutura preexistente, mas da autenticidade de uma demanda compartilhada pelo povo.

A estratégia do VAT se diferencia radicalmente daquela dos movimentos sociais tradicionais. A abordagem coloca o digital na largada: a mobilização começa online e depois transborda para o mundo físico. A comunicação é a chave. Sidrach descreve a linguagem do movimento como “extremamente simplificada”, evitando jargões políticos e focando na experiência concreta do trabalhador. Essa simplicidade foi crucial para “aproximar uma galera que não estava nos ambientes de debate político”, alega.

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Essa abordagem contrasta fortemente com o que Bernardo Moreira chama de “negacionismo digital” do campo progressista. Ele critica a esquerda institucional e os sindicatos por subestimarem o poder das redes sociais e por não se adaptarem às novas formas de comunicação. “O PT simplesmente recusou o evento [oferecido por Meta e o Google sobre IA], não quis. E aí como é que você vai disputar política com pessoas que querem todo o tipo de informação possível para melhorar sua comunicação digital?”, questiona Moreira. O VAT, por outro lado, nasceu e prosperou nesse ambiente, demonstrando que a fluência digital e uma narrativa coesa podem ser mais eficazes do que o peso institucional.

As redes digitais mudaram as práticas político-sociais dos povos, e os impactos das mudanças velozes no paradigma comunicacional da população brasileira são difíceis de cravar e provar no ritmo da ciência, mas é evidente que a Era Digital muda as regras do jogo democrático. “Por mais que ainda não seja possível afirmar que a manipulação algorítmica, o uso de bots, a divulgação de fake news e de deep fakes são os grandes responsáveis pelos resultados eleitorais, podemos dizer que estamos caminhando para um cenário de processo eleitoral hackeável”, resumem Magrani e Oliveira em seu artigo “A esfera pública (forjada) na era das fake news e dos filtros-bolha”.

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Mas, pelo menos no caso do VAT, a mobilização online foi habilmente convertida em pressão política tangível. A petição online, que se aproxima de 3 milhões de assinaturas, serviu como prova da força popular da pauta. Essa força foi então usada para abrir portas em Brasília. O contato com o gabinete da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) resultou na elaboração de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), dando à demanda popular um formato legislativo concreto. Ao mesmo tempo, o movimento organizou ações de base, como panfletagens em rodoviárias e audiências públicas em câmaras municipais, como a de Uberlândia, mostrando que a pressão digital podia se materializar em ação local e engajamento cívico.

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O perfil dos integrantes do VAT também revela uma mudança no paradigma do ativismo. “[O movimento] é composto em sua grande maioria, por pessoas que nunca tiveram contato, seja com o sindicato, seja com o movimento social”, relata Sidrach. É um movimento de recém-chegados à política organizada, o que explica em parte seu frescor e sua distância dos vícios e rituais da militância tradicional.

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Sidrach destaca a diversidade do movimento, com forte presença da população preta, periférica e LGBTQIAPN+. Essa composição interseccional enriquece o debate, trazendo para o centro da discussão sobre trabalho questões como maternidade, racismo e exclusão social, que muitas vezes são marginalizadas nas pautas sindicais clássicas. A luta pelo tempo, nesse contexto, torna-se também uma luta por reconhecimento e dignidade para os corpos mais explorados pela sociedade.

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“O fim da escala 6x1 veio a ser um movimento que pode ser a nossa virada de chave. Qualquer coisa que a gente bote além disso, pra mim é negativo. Porque, por mais que a gente concorde que a taxação de super ricos e o fim da escala 6x1 são pautas que andam lado a lado, que vão realmente revolucionar o nosso modelo tributário, o nosso modelo trabalhista, a gente precisa entender que taxação de super rico não é uma pauta tão aprovada quanto o fim da escala 6x1.  Se a gente junta duas pautas, a gente não desvirtua, mas a gente tende a afastar a pessoa que não entende muito sobre taxação. Aquela pessoa que olha assim e fala, ah mano, imposto é roubo, foda-se, tá ligado?”, declara Moreira, que teme que a unificação da pauta trabalhista com a da taxação dos super-ricos no plebiscito possa prejudicar os objetivos do campo. Em um Brasil polarizado, ele argumenta, a pureza da pauta é uma vantagem estratégica.

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Sidrach, por outro lado, defende a construção de uma coalizão ampla. Ele vê a pauta do 6x1 como um ponto de partida, um fio que, ao ser puxado, revela a interconexão de diversas outras lutas. “Como que a gente vai defender a classe trabalhadora se a gente não falar das questões de identidade, das questões de meio ambiente, das questões de redistribuição de renda?”, questiona. Para ele, o VAT tem a responsabilidade de se aliar a outros movimentos e de usar sua plataforma para politizar seus membros, transformando uma demanda específica em uma consciência de classe mais ampla.

Essa tensão entre foco e amplitude, entre pragmatismo e politização, é o desafio central que o VAT enfrenta à medida que amadurece. Sua trajetória futura dependerá de como conseguirá equilibrar a simplicidade que lhe deu força viral com a complexidade necessária para construir alianças duradouras e promover mudanças estruturais.

A procura do tempo perdido

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O Plebiscito Popular não ocorre em um vácuo. Ele aterrissa em um cenário político brasileiro extremamente complexo e polarizado. O terceiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao se aproximar do último ano de mandato, navega em águas turbulentas, buscando consolidar sua base de apoio e se preparar para a reeleição em 2026. A forma como o governo tem se relacionado com as pautas do plebiscito revela um cálculo estratégico delicado, que oscila entre a cautela imposta por suas alianças políticas e a oportunidade de surfar uma onda de descontentamento popular.

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As pesquisas de opinião de agosto e setembro de 2025 pintam um retrato de um país dividido. Após um período de queda acentuada em sua popularidade, o governo Lula 3, que tinha visto sua aprovação cair 12 pontos percentuais entre dezembro de 2024 e maio deste ano, teve um crescimento de 6 pontos percentuais de maio a agosto, segundo pesquisa de agosto da Genial Quaest. A desaprovação ao governo segue o padrão inverso, havia subido 8 pontos percentuais entre dezembro e maio, mas caiu 6 pontos entre maio e agosto. A margem de erro para o levantamento nacional é de 2 pontos percentuais, o que significa que a tendência de queda da desaprovação e da melhora na aprovação se confirmam em agosto.

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Contudo, sob essa aparente estabilidade, reside uma profunda polarização. O governo mantém uma base de apoio sólida em seus redutos tradicionais, mas enfrenta resistência em outros segmentos. Os dados revelam um Brasil cindido por geografia, renda e religião.

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Inicialmente, o governo federal demonstrou hesitação em abraçar as pautas do plebiscito. Bernardo Moreira atribui essa demora às alianças que sustentam a administração. “O próprio Zé Dirceu já disse que o governo Lula não é um governo de esquerda, o governo Lula é um governo de centro-direita”, relembra, apontando que a coalizão ampla inclui setores da classe dominante que se opõem frontalmente a uma redução da jornada de trabalho ou a uma maior taxação sobre seus lucros e patrimônios. A resistência inicial também partiu de setores sindicais tradicionais, que, segundo Moreira, viram com desconfiança uma pauta que não nasceu dentro de suas estruturas, temendo uma perda de protagonismo.

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No entanto, a força do movimento VAT e a evidente popularidade de suas propostas tornaram-se um fato político impossível de ignorar. O governo percebeu a oportunidade. Lucas Sidrach relata um ponto de virada crucial: às vésperas de 1º de maio de 2025, um dia de grande simbolismo para o mundo do trabalho, o presidente Lula fez seu primeiro comunicado oficial falando sobre o fim da escala 6x1. Esse movimento foi um claro sinal de que o Palácio do Planalto havia decidido embarcar na pauta.

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A decisão é eminentemente estratégica. Com a popularidade em jogo e a eleição de 2026 no horizonte, as pautas do plebiscito oferecem ao governo uma plataforma de campanha poderosa e já testada. “Se ele for esperto, sim”, provoca Moreira quando questionado se Lula deve utilizar a defesa do Fim da Escala 6x1 em sua campanha de 2026. E realmente, segundo pesquisa da Genial Quaest, 71% dos brasileiros são a favor do fim da escala 6x1. O governo, segundo Sidrach, parece estar guardando essa “carta” para usá-la mais perto da eleição, maximizando seu impacto.

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A conjuntura de 2025 foi ainda mais embaralhada por um fator externo inesperado: a interferência do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na política brasileira. A pesquisa Genial Quaest de agosto de 2025 capturou o impacto da notícia de que Trump imporia uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros como forma de pressionar contra o que ele considerava uma “perseguição” ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

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A reação popular foi negativa para a família Bolsonaro, que teve sessão da mesma pesquisa reservada para o filho 03. A pergunta “Eduardo Bolsonaro defende os interesses do Brasil ou o interesse dele e da família Bolsonaro?” teve 69% e 23% das respostas, respectivamente. Ademais, a grande maioria dos brasileiros (77%) acreditava que as tarifas prejudicam suas vidas, e 71% consideraram a atitude de Trump errada. Mais importante, 49% viram o presidente Lula como agindo em defesa do Brasil, contra 41% que o acusaram de se aproveitar politicamente da situação. A intervenção de Trump, como aponta Bernardo Moreira, “ajudou a gente aí”. Ela criou uma oportunidade de ouro para o governo Lula se posicionar como defensor da soberania nacional contra uma potência estrangeira, uma narrativa que unifica e transcende a polarização ideológica. Esse episódio contribuiu para a melhora na comunicação e na aprovação do governo, criando um ambiente mais favorável para que ele assumisse pautas populares como as do plebiscito.

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A relação entre o governo e o movimento social é, portanto, simbiótica e transacional. O VAT e os organizadores do plebiscito criaram, a partir da base, uma realidade política e uma plataforma popular. O governo, por sua vez, ao perceber a força e a oportunidade eleitoral, começa a cooptar e amplificar essa plataforma para seus próprios fins estratégicos. É um jogo complexo onde a pressão popular força a mão do poder instituído, que, por sua vez, tenta canalizar essa energia para se fortalecer.

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O Plebiscito Popular está recebendo assinaturas desde o dia 1º de julho de 2025, prorrogou as votações até o dia 10 de outubro. Até lá, não é possível saber o número exato de votantes. Mesmo assim, já é possível dizer que ele transcende a sua natureza de consulta não-oficial para se tornar um evento político significativo. Ele representa a confluência de uma herança histórica de desigualdade, a urgência de crises contemporâneas no trabalho e na fiscalidade, e a emergência de novas formas de ativismo capazes de pautar a agenda nacional de baixo para cima. A análise de suas origens, pautas e do contexto em que se insere permite extrair conclusões sobre seu impacto imediato e seu legado para o futuro da democracia brasileira.

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A iniciativa é, antes de tudo, um sintoma agudo de uma crise de representação. Ao organizar sua própria consulta, a sociedade civil não apenas pressiona por mudanças legislativas, mas também expõe a falha dos canais institucionais em processar demandas populares urgentes. Independentemente de a PEC sobre o fim da escala 6x1 ser aprovada ou de uma reforma tributária mais justa sair do papel, o movimento já alcançou uma vitória fundamental: forçou uma conversa nacional sobre a qualidade de vida do trabalhador e a distribuição de riqueza, a pasta saiu do tubo. Temas que antes eram restritos a círculos acadêmicos ou sindicais agora são debatidos em lares, locais de trabalho e, crucialmente, nos corredores do poder em Brasília.

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O sucesso do movimento Vida Além do Trabalho (VAT) oferece um roteiro para o futuro do ativismo no Brasil. Ele demonstra que, na era digital, a capacidade de construir narrativas eficazes pode superar a inércia de estruturas políticas e sindicais tradicionais. A ascensão do VAT é um alerta para a esquerda institucional sobre a necessidade de superar seu “negacionismo digital” e aprender a dialogar com uma população que se informa e se mobiliza de maneiras radicalmente novas.

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A resposta do governo Lula ao plebiscito ilustra a dinâmica complexa entre movimentos sociais e o poder estatal. A transição da hesitação inicial, ditada por alianças pragmáticas, para um abraço estratégico das pautas revela como a pressão popular pode alterar o cálculo político, especialmente em um cenário pré-eleitoral. O plebiscito forneceu ao governo uma plataforma popular para se reconectar com sua base trabalhadora e construir uma narrativa para 2026, evidenciando uma relação onde ambos os lados, movimento e governo, se utilizam mutuamente para avançar em seus objetivos.

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Finalmente, o Plebiscito Popular de 2025 retorna à questão fundamental levantada em sua introdução: o que significa ser “brasileiro”. Ao demandar menos tempo de trabalho e uma divisão mais justa da riqueza, a iniciativa propõe uma redefinição dessa identidade nacional. Ela desafia a noção histórica de um povo definido pela sua função de trabalho e exploração, e propõe em seu lugar uma identidade baseada na cidadania, na dignidade e no direito a uma vida além do trabalho. O veredito final desta consulta popular não será medido apenas em votos ou assinaturas, mas pela sua capacidade de inspirar uma nova geração a lutar por um país onde o poder, de fato, emane do povo.

Abrir as portas das casas legislativas para a sociedade civil deve ser prática mundana em democracias saudáveis. Foto: Gabriel Coelho

Para todos lerem: Câmara Legislativa de Uberlândia ocupada por políticos e sociedade civil, que sentam-se na mesa diretora e nas bancadas, respectivamente.

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Gráfico de pesquisa que mostra a variação na aprovação do governo Lula entre agosto de 2023 e agosto de 2025
Fonte: Genial Quest

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Gráfico da aprovação do governo federal entre janeiro e agosto de 2025, separados por renda familiar em salários mínimos.
Fonte: Genial Quest

Gráfico de opinião sobre tarifas de Trump

Fonte: Genial Quaest

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